Os Estados Unidos realizaram, na madrugada de quinta‑feira (28), o segundo ataque contra alvos iranianos em três dias. O Irã respondeu afirmando haver atingido uma base militar americana às 4h50 locais, sem detalhar sua localização. Autoridades kuwaitianas, no entanto, informaram que interceptaram mísseis e drones no espaço aéreo do país e que fortes explosões observadas se deveram às defesas.
O Pentágono afirma ter abatido cinco drones iranianos e de ter frustrado o lançamento de um sexto originado na cidade de Bandar Abbas. O Comando Central dos EUA justificou a ação alegando que as aeronaves representavam “uma ameaça clara” nas imediações do Estreito de Ormuz, ponto crucial para o tráfego de petróleo mundial.
A troca de ataques ocorre enquanto Israel mantém bombardeios no Líbano, inclusive em Beirute, e o Hezbollah responde com operações contra forças israelenses. Desde 2 de março, o Ministério da Saúde do Líbano registra mais de 3,2 mil mortes e cerca de 9,7 mil feridos. Países do Golfo — entre eles Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes — condenaram os ataques iranianos contra o Kuwait.
O episódio expõe a fragilidade do cessar‑fogo e amplia custos políticos e econômicos: risco de contágio regional, pressão sobre rotas marítimas por onde passou cerca de 20% do petróleo mundial e, para Washington, dilema entre resposta militar e necessidade de contenção diplomática. Teerã insiste em demandas como retirada de bases, desbloqueio de ativos e alívio de sanções; os EUA mantém exigências sobre urânio e a livre navegação no Estreito. A percepção dominante entre analistas é que sem canais de negociação ativos a escalada pode se tornar mais difícil de controlar.