O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão por três dias das novas tarifas de 50% sobre produtos canadenses que deveriam entrar em vigor à meia-noite. Segundo comunicado publicado pela Casa Branca, a decisão se baseia em um acordo preliminar entre os dois países, sujeito à finalização de documentos.

Uma hora depois, o primeiro‑ministro canadense, Mark Carney, afirmou que houve “avanços substanciais, embora ainda haja um trabalho importante a ser realizado”. Autoridades dos dois lados não divulgaram o conteúdo do acordo e reduziram a transparência sobre cláusulas centrais, deixando pontos sensíveis sem confirmação pública.

O gabinete do representante comercial dos EUA apontou que o pacto incluirá acesso de mercado para produtos norte‑americanos, compromissos de segurança econômica e alinhamento no comércio digital. Fontes consultadas indicaram que as tarifas automotivas vinham sendo um foco das disputas; as novas medidas alcançariam cerca de US$ 20 bilhões em importações e teriam sido aplicadas independentemente de preferências previstas no Acordo EUA‑México‑Canadá (USMCA).

A suspensão temporária dá alívio imediato a exportadores canadenses, mas não elimina a incerteza: o prazo curto e a falta de detalhes mantêm o risco de volatilidade comercial e política. Trump tem feito das tarifas um pilar de sua estratégia externa, apesar de contratempos jurídicos e críticas, e chegou a aventar a possível ressurreição do gasoduto Keystone XL — afirmação sem detalhes operacionais. O episódio expõe uma negociação intensa e pouco transparente, que pode cobrar preço político e econômico se as promessas não forem formalizadas.