O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, marcou para 15 de setembro uma sessão plenária destinada a pôr na pauta a crise aberta por decisões monocráticas e sobreposições processuais entre membros da Corte. A convocação ocorre após uma sequência de atos individuais dos ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que, segundo Fachin, delinearam um quadro de conflito capaz de lesar a ordem pública e a integridade do tribunal.
Na tentativa de recompor a estrutura decisória do STF, Fachin determinou a retirada da petição 16.662 do gabinete de Mendonça e revogou a portaria que havia designado Moraes como relator do Inquérito das Fake News, de 2019. Ambos os temas passarão a ser relatados pelo próprio presidente da Corte. Ao mesmo tempo, Fachin limitou a atuação de Moraes no inquérito às ações penais já com denúncia recebida e preservou as decisões tomadas pelo ministro salvo eventual reforma pelos canais processuais apropriados.
Entre as medidas complementares do presidente estão a suspensão da ordem de Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, e a anulação de uma decisão de Flávio Dino que tratou do retorno de Rodrigues ao cargo. A sessão de 15/9 incluirá a petição 16.662, que envolve a divulgação de conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro e levanta questionamentos sobre a conduta de integrantes da Corte. Mendonça, por sua vez, passou a ser investigado sobre a legalidade de sua atuação no chamado caso Master e em atos ligados a esse procedimento.
O ponto de tensão se formou em 1º de setembro, quando Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que sugeria diálogos comprometedores entre Moraes e Vorcaro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da decisão que levou à produção do relatório, e o próprio Mendonça confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025 — fato revelado por reportagem de Paulo Motoryn. Especialistas ouvidos na ocasião indicaram que a decisão individual poderia ser revertida pelo plenário, caminho agora formalizado por Fachin.
A convocação do plenário e a centralização de relatorias representam uma tentativa explícita de Fachin de restaurar o procedimento colegiado e reduzir conflitos internos. Politicamente, a movimentação expõe o desgaste institucional do STF, pressiona a legitimidade das decisões monocráticas e aumenta a visibilidade sobre a gestão da Polícia Federal. O julgamento de 15/9 será, portanto, menos um desfecho técnico e mais um termômetro da capacidade do tribunal de recuperar sua coerência institucional diante de impasses que têm repercussão direta na cena pública e no jogo de poderes.