As eleições legislativas e as consultas partidárias realizadas em 8 de março redesenharam o mapa político colombiano e abriram a reta final da campanha presidencial, com primeiro turno marcado para 31 de maio e eventual segundo turno em 21 de junho. O principal efeito imediato é eleitoral e institucional: o Pacto Histórico, partido do presidente Gustavo Petro, saiu como a maior bancada do Congresso, mas sem a maioria absoluta necessária para aprovar reformas estruturantes sem negociação extensa.

Entre os aspirantes à Presidência, pesquisas recentes — ainda retratos do momento, não previsões definitivas — colocam pelo menos dois nomes em posição de destaque. Iván Cepeda, senador do Pacto Histórico, representa a continuidade do projeto de Petro, com ênfase em direitos humanos, diálogo com grupos armados e propostas como aumento do salário mínimo e reforma agrária em um país marcado por profunda concentração de terras. Sua trajetória inclui participação nas negociações de paz com as Farc e experiência legislativa de longa duração; também carrega a memória política da violência contra seu pai, assassinado por sua militância.

No campo oposto, Abelardo de la Espriella emergiu como candidato de linha-dura, centrado em segurança, combate à corrupção e defesa da livre iniciativa e valores conservadores. Seu perfil de empresário e advogado, e sobretudo a menção pública de que atuou como advogado de Alex Saab — figura controversa ligada a investigações internacionais — têm sido objeto de questionamentos e explicações públicas. De la Espriella aposta em um discurso que qualidade de vida e ordem pública são prioritários e que o país vive momento existencial, acusando a gestão atual de buscar perpetuação no poder.

O ponto que une as avaliações de analistas é institucional: o vencedor terá pela frente um Congresso fragmentado, situação semelhante à que limitou a capacidade de Petro de avançar reformas. Isso significa necessidade de coalizões pragmáticas, concessões e possível perda de ritmo legislativo. Para um candidato como Cepeda, a continuidade exige negociar dissidências dentro da esquerda e também com forças centristas; para De la Espriella, a ênfase na segurança e no ajuste institucional terá de ser conciliada com um Legislativo disperso e com críticas sobre sua proximidade a figuras controversas. Em suma, a disputa promete ser decidida tanto por narrativa quanto por capacidade de costurar maiorias num Congresso que não dará margem a governabilidade confortável.