A decisão da Fifa, divulgada a uma semana da abertura da Copa do Mundo 2026, de vetar a entrada de garrafas reutilizáveis em estádios reacendeu críticas de cientistas e organizações de torcedores. A medida foi justificada por razões de segurança — a ideia é reduzir o risco de objetos lançados —, mas especialistas em calor dizem que, na prática, ela pode elevar a probabilidade de problemas de saúde entre o público.

Pesquisadores lembram que, em maio, um grupo de cientistas advertiu a entidade sobre a insuficiência das estratégias de proteção contra o calor, citando estimativas de temperaturas perigosas em 14 das 16 cidades-sede. Para esses especialistas, facilitar o acesso à água é uma das ações essenciais para mitigar incidentes relacionados ao calor, sobretudo porque o público inclui crianças, idosos e pessoas com condições crônicas ou em uso de medicamentos.

A Fifa afirmou que trabalhará com comitês locais e que pontos como nebulização, tendas de resfriamento, bebedouros e estações de hidratação estarão disponíveis no perímetro dos estádios, além de manter preços de água compatíveis com outros eventos. Internamente, será proibido entrar com garrafas, mas será possível comprar água dentro das arenas. Críticos questionam se essas medidas, implantadas às vésperas do torneio, serão suficientes e acessíveis no calor extremo.

A reação dos torcedores foi rápida: grupos como o Free Lions disseram ter recebido previamente garantias de que seria possível levar garrafas vazias e apontaram a mudança como tardia e desconcertante. Em meio a reclamações sobre preços de ingressos e tarifas de transporte, a proibição alimenta desconfiança de que a medida pode onerar ainda mais o público. O episódio coloca a Fifa sob pressão para demonstrar que a segurança não comprometerá a saúde dos espectadores nem penalizará economicamente quem irá aos jogos.