A Fifa decidiu nesta semana suspender a aplicação da suspensão automática imposta a Folarin Balogun, liberando o atacante dos Estados Unidos para as oitavas de final contra a Bélgica. A medida, fundamentada no artigo 27 do Código Disciplinar, coloca o cumprimento da punição em um período probatório de um ano: a sanção só voltará a ser aplicada se o jogador cometer nova infração de teor e gravidade semelhantes durante esse prazo.
A decisão ocorreu após o cartão vermelho recebido por Balogun no confronto com a Bósnia, quando o atacante, de 25 anos, foi expulso depois de uma revisão do VAR por uma entrada com a chuteira no tornozelo do bósnio Tarik Muharemovic — lance que deixou os EUA com um jogador a menos, apesar de Balogun ter marcado na partida. Segundo apurações, o presidente dos EUA, Donald Trump, falou diretamente com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir revisão do caso; a informação sobre a ligação foi relatada por fonte com conhecimento da conversa.
A facilidade da reversão operacionalizada pela suspensão probatória provocou reações. A Federação Real Belga de Futebol (RBFA) qualificou a decisão como surpreendente e afirmou que ela contraria artigos do regulamento do torneio — citando o artigo 66.4, que estabelece suspensão automática após cartão vermelho, e o artigo 10.5 do regulamento da competição — e informou que estudará opções. A Federação de Futebol dos EUA e jogadores comemoraram a possibilidade de contar com Balogun, enquanto parte do elenco norte-americano soube da medida pelas redes sociais, antes mesmo de comunicado oficial em treinos.
Além do impacto imediato na escalação, a movimentação reacende um debate institucional sobre a independência e a transparência da Fifa. A entidade tem margem discricionária para modular sanções, mas a intervenção de uma autoridade política de alto perfil expõe a organização a acusações de influência externa e tratamento desigual. O episódio junta-se a precedentes recentes — quando a Fifa já suspendeu aplicação de penas em outros casos — e deve intensificar pressões por regras mais claras e por prestação de contas sobre critérios adotados em decisões disciplinares durante o torneio.