Mariela Castro, filha do ex-presidente cubano Raúl Castro, negou que os Estados Unidos venham a sequestrar o pai, de 94 anos, em resposta ao indiciamento anunciado em Miami. A declaração foi dada nesta sexta-feira durante manifestação em frente à embaixada americana em Havana, onde familiares e apoiadores se reuniram para reagir à acusação.

O indiciamento diz respeito à derrubada, em 1996, de dois pequenos aviões do que era identificado como um grupo anticastrista, episódio que resultou na morte de quatro americanos. Na época, Raúl Castro exercia o cargo de ministro da Defesa, posição que o conecta às decisões militares daquele período e motivou a ação judicial em território norte-americano.

No ato público, Mariela classificou o processo como inviável do ponto de vista legal e acusou Washington de agir fora das normas; suas palavras ecoaram um discurso tradicional de resistência ao que chamou de ‘imperialismo’. A presença de Alejandro Castro e de membros da família, inclusive netos envolvidos recentemente em contatos com autoridades americanas, mostra que o regime busca sinalizar unidade e controle diante da repercussão.

Além da reação simbólica, o indiciamento tem potencial para reabrir uma crise diplomática em um momento em que Havana e Washington mantêm canais discretos de interlocução. A medida acende alerta para o futuro das negociações: se por um lado há apelo por responsabilização judicial, por outro a ação cresce como risco de complicar avanços políticos e manter as tensões bilaterais em destaque.