França, Itália e Espanha negaram recentemente acesso logístico a operações ligadas aos ataques contra o Irã, numa sequência que expõe uma fissura inédita entre Washington e parceiros europeus da OTAN. A decisão dos governos europeus ocorre num contexto de alta retórica do presidente dos EUA, que tem criticado publicamente a postura de aliados históricos.

Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, a França recusou o sobrevoo de aeronaves destinadas a Israel e carregadas com suprimentos militares norte-americanos — a primeira recusa registrada desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. A Presidência e o Ministério das Relações Exteriores franceses não comentaram as informações divulgadas.

França, Itália e Espanha negaram rotas e apoio logístico a operações ligadas aos ataques contra o Irã.

Na Itália, reportagem do Corriere della Sera relata que a base de Sigonella, na Sicília, negou pouso a aeronaves militares dos EUA porque não houve pedido formal e a liderança militar italiana não foi consultada, conforme regras vigentes sobre o uso das instalações. A Espanha, por sua vez, afirmou que seu espaço aéreo está fechado para voos relacionados aos ataques e condiciona o uso de bases ao princípio de defesa coletiva da OTAN, segundo a ministra da Defesa, Margarita Robles; o primeiro‑ministro Pedro Sánchez tem sido crítico das ações americanas e israelenses.

A sequência de recusas tem consequência política concreta: a coordenação logística entre aliados fica mais complexa e a unidade da OTAN fica sob tensão. A retórica do presidente americano — que classificou aliados europeus como pouco colaborativos — não apenas endurece o discurso, mas amplia desgaste político em torno da capacidade dos EUA de manter uma frente unida com parceiros tradicionais.

O episódio acende alerta sobre o custo diplomático de operações militares que dependem de corredores logísticos aliados. Para os países europeus, a rejeição traduz uma necessidade de disputar autonomia estratégica; para Washington, é um sinal de que a demonstração de força tem limite prático e político entre aliados, exigindo agora esforço diplomático para conter a erosão da confiança.

A retórica do presidente americano amplia o desgaste e complica a coesão entre aliados da OTAN.