Cem pessoas — 70 delas crianças — foram enterradas neste domingo no Cemitério dos Mártires, no bairro de Al Zeitun, na cidade de Gaza, segundo a agência local WAFA. Centenas de palestinos acompanharam a procissão que saiu da mesquita do Imam al-Shafi, enquanto caixões cobertos por bandeiras palestinas seguiam em cortejo.
As autoridades locais informaram que os corpos foram recuperados nos últimos dias entre os escombros de edifícios atingidos nos estágios iniciais da ofensiva israelense, desencadeada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Restos mortais pertenciam a habitantes de quatro famílias, e várias valas comuns foram abertas no cemitério para receber as vítimas.
O balanço mais recente divulgado pelas autoridades de Gaza, lideradas pelo Hamas, aponta mais de 73.650 mortos e cerca de 174,6 mil feridos desde o início da ofensiva; os números incluem 1.344 mortos e 4.481 feridos registrados após o cessar‑fogo acordado em outubro de 2025 para implementar proposta dos EUA. A ONU considera os dados de Gaza confiáveis, segundo comunicação oficial.
Além do impacto humano imediato, os enterros em massa evidenciam problemas concretos: saturação de serviços funerários e forenses, dificuldade na identificação de corpos e pressão acrescida sobre agências humanitárias. O episódio também tende a reforçar escrutínio internacional e complica a narrativa sobre a duração e a eficácia do cessar‑fogo, abrindo questionamentos sobre acesso para perícias, assistências e responsabilidades pelo alto custo civil do conflito.