A disputa por ingressos da turnê global do BTS, com data em 34 cidades até 2027, transformou-se em oportunidade para criminosos digitais. O caso da indonésia Vevee, que gastou US$ 1,2 mil em quatro assentos VIP e não recebeu nada em troca, virou exemplo do que tem acontecido em escala: filas virtuais lotadas, oferta restrita e consumidores dispostos a pagar preços muito acima do oficial.
Segundo apurações, a procura em partes da Ásia chegou a ser 15 vezes superior à oferta — cenário que levou a promotores de shows e plataformas a acrescentar datas extras em cidades como Jacarta e Bulacan. Analistas consultados pela Reuters estimam que BTS e a gravadora Hybe poderão faturar quase US$ 2 bilhões com o retorno, fato que só amplia o volume de dinheiro em jogo e o interesse de revendedores e golpistas.
Golpistas atuam em redes sociais e grupos de fãs, prometendo acesso prioritário ou ingressos por preços abaixo do mercado; quando a transferência é feita, desaparecem. Autoridades já registraram dezenas de denúncias: em Singapura foram ao menos 62 casos com prejuízo de cerca de 68 mil dólares de Singapura, e a Malásia informou 28 registros semelhantes. Na Tailândia, parlamentares analisam petição de 126 fãs que querem intervenção para criar filas de espera oficiais. A plataforma Carousell chegou a suspender revenda de ingressos em Singapura até 22 de dezembro.
Além do dano financeiro direto às vítimas, o episódio expõe fragilidades — de sistemas de venda primária à fiscalização de mercados secundários. Há um custo reputacional para organizadores e plataformas e um risco de erosão da confiança dos fãs. A reação institucional, por ora reativa, indica necessidade de regras mais claras para revenda, checagem de autenticidade e mecanismos de reembolso; sem isso, a competição por shows populares continuará sendo terreno fértil para fraudes.