António Guterres abriu a 81ª Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (22) com um alerta sobre o recrudescimento de guerras, ataques a civis e a crescente fragmentação geopolítica. Citou conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar como sinais de que, quando o poder escapa a controles e a força suplanta a diplomacia, a proteção de populações e trabalhadores humanitários fica comprometida. O pronunciamento marca seu último ano à frente da instituição.
Guterres apresentou quatro grandes testes que, na sua visão, moldam o futuro: conflitos armados, desigualdade, mudanças climáticas e o avanço da inteligência artificial. No caso da IA, chamou atenção para a velocidade do desenvolvimento tecnológico, que pode superar a capacidade humana de avaliar consequências, e cobrou marcos de responsabilização para evitar impactos sociais e éticos não desejados.
O diagnóstico do secretário-geral acende alerta para efeitos concretos: a multiplicação de frentes de conflito e a erosão de mecanismos multilaterais complicam a resposta humanitária, elevam custos políticos e econômicos e reduzem espaço para negociações. Ao fazer do tema da responsabilidade tecnológica uma prioridade, Guterres também aponta para uma lacuna institucional — a incapacidade atual de governança global sobre tecnologias disruptivas.
No fim, o apelo foi claro e enfático: fortalecer diálogo, transparência, confiança e cooperação entre Estados. Mais do que um sermão, o discurso funciona como um mapa de pressões que vêm pela frente — para a ONU, para governos e para atores privados — e que exigem medidas concretas se a comunidade internacional pretende preservar instrumentos diplomáticos e proteger civis em zonas de conflito.