A implementação do acordo apresentado pelo ex-presidente dos EUA dependerá, segundo uma autoridade do Hamas ouvida pela Reuters, do cumprimento prévio por parte de Israel das obrigações previstas no pacto de Sharm el‑Sheikh. O anúncio divulgado por Donald Trump em sua rede social descreveu avanço no processo, mas a operação prática fica condicionada à execução dos passos acordados entre os mediadores.
Ghazi Hamad, representante do Hamas nas negociações, disse que o movimento está disposto a aceitar uma estrutura que classificou como difícil e dolorosa — mas evitou afirmar que se trata do desarmamento imediato. O grupo deixou claro que só entregaria armas para armazenamento pelo novo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) após Israel suspender ataques, retirar forças às posições de outubro e ampliar o fluxo de mercadorias e ajuda humanitária.
O alerta de Hamad ecoa uma atitude recorrente: a insistência de cada lado para que o outro dê o primeiro passo. Em poucas horas após o anúncio, autoridades médicas de Gaza relataram feridos em um ataque aéreo, e não houve posicionamento imediato das Forças Armadas israelenses. O NCAG saudou o que chamou de progresso no roteiro, e a Alemanha disse que contribuiria para apoiar a implementação.
A dinâmica expõe riscos políticos imediatos. O primeiro‑ministro israelense, que se reuniu com Trump em Washington, enfrenta uma eleição em outubro e depende do apoio de aliados mais à direita, alguns contrários a concessões em Gaza — uma realidade que complica a retirada e acelera a exigência de garantias prévias. Em Gaza, deslocados permanecem céticos e pedem medidas concretas, o que deixa claro que o anúncio americana ainda precisa ser traduzido em ações verificáveis para não virar novo motivo de frustração e prolongar a crise humanitária.