O Hezbollah anunciou nesta quinta‑feira nova série de ataques contra posições no norte de Israel, afirmando que agiu em resposta à violação do cessar‑fogo que havia sido negociado sob mediação entre Irã e EUA. Segundo comunicados do grupo xiita, foguetes atingiram assentamentos como Manara, Avivim, Shomera e Shlomi, e a retaliação "continuará até que a agressão israelense‑americana cesse".

A reativação das hostilidades ocorre depois que o governo de Benjamin Netanyahu lançou, um dia após a trégua, a ofensiva considerada a maior contra o Líbano desde o início da escalada, com custo humano elevado: ao menos 250 mortos foram registrados em consequência dos bombardeios. Do lado israelense, as Forças de Defesa informaram ter matado oito combatentes do Hezbollah, incluindo líderes regionais, e afirmaram que manterão operações para "eliminar ameaças".

A situação expõe contradições no próprio desenho da trégua. Enquanto mediadores como o primeiro‑ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, dizem que o Líbano deveria integrar o acordo, figuras como o presidente dos EUA relutaram em reconhecer esse ponto — um desencontro que enfraquece a negociação e dá espaço para novos ciclos de violência. O Irã já ameaçou abandonar o cessar‑fogo diante dos bombardeios ao Líbano, o que amplia a dimensão regional do impasse.

Além do custo imediato em vidas e infraestrutura, a retomada dos ataques tem efeitos políticos claros: complica a estratégia de Netanyahu, que vê aumentada a pressão internacional por discrição, e tensiona o papel dos mediadores em Islamabad, onde representantes de Teerã e Washington se reúnem para tentar preservar um acordo frágil. Países europeus cobram inclusão do Líbano nas negociações, enquanto Beirute afirma que a manutenção das agressões torna o processo "sem sentido".

O quadro atual mostra que a trégua é, na prática, um campo minado político. Sem uma definição clara sobre os limites do acordo e sem mecanismos eficazes de verificação, as hostilidades correm o risco de se alastrar novamente, com impacto direto sobre civis e risco de contágio a outros atores regionais. A diplomacia tem pouco tempo para evitar que a contenção temporária se transforme em nova espiral de guerra.