Os húngaros vão às urnas neste domingo para escolher 199 deputados da Assembleia Nacional, que em seguida elegerão o primeiro‑ministro. Depois de 16 anos no poder, o nacionalista Viktor Orbán enfrenta a possibilidade real de derrota: pesquisas recentes colocam Peter Magyar, do partido de centro‑direita Tisza, à frente do governo que parecia consolidado.
O quadro, porém, permanece volátil. Relatos da imprensa internacional destacam grande contingente de eleitores indecisos e a influência de húngaros étnicos residentes em países vizinhos — grupo que tende a favorecer o partido governista Fidesz. Essa incerteza torna o pleito imprevisível apesar da vantagem apontada por Magyar.
O desgaste de Orbán tem base em fatores tangíveis: estagnação econômica, aumento do custo de vida e denúncias de enriquecimento de oligarcas próximos ao Executivo corroeram sua imagem entre eleitores. Magyar, 45 anos, capitaliza esse descontentamento prometendo combater a corrupção, liberar bilhões de euros em fundos da União Europeia atualmente congelados, taxar os mais ricos e reformar a saúde pública. Ele também diz querer afastar a Hungria da influência russa e evitar que o país se torne um “fantoche russo”.
A dimensão do resultado ultrapassa fronteiras: a Hungria é vista como interlocutor estratégico entre Moscou e a UE, com laços energéticos e postura atípica sobre a guerra na Ucrânia. Analistas europeus e norte‑americanos acompanham o desfecho como termômetro para o futuro das políticas soberanistas no bloco. Para Bruxelas, a mudança de governo pode significar não só ajuste diplomático, mas também a retomada de recursos essenciais para a economia húngara.