O Senado concluiu a aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, em votação de 75 a 1. A cena política imediata foi captada pela imprensa estrangeira como uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do segundo turno, pela combinação entre apelo popular e calendário eleitoral.
Meios como El País, Financial Times, The Guardian, Clarín e La Nación focalizaram a dimensão política do resultado: trabalhadores ganham um dia livre a mais, e o fato ocorre em momento sensível para a campanha. A cobertura também registrou críticas de setores empresariais sobre aumento de custos, e apontou a trajetória do tema desde movimentos nas redes até sua chegada ao Congresso.
A mudança de posição do candidato Flávio Bolsonaro, que anunciou voto favorável 48 horas antes da sessão, recebeu atenção internacional e ganhou peso político interno: a agência Associated Press observou que aliados do senador não barraram a matéria, para evitar desgastar sua disputa contra Lula. A pauta foi levada ao plenário após decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reordenando cálculos políticos e provocando migração de votos na oposição.
Além do simbolismo eleitoral, a PEC traz efeitos práticos: prevê dois dias de descanso remunerado por semana e uma transição de 14 meses — 60 dias até adotar escala 5x2 e reduzir para 42 horas, e mais 12 meses até 40 horas. A implementação coloca sobre empresas e governo desafios regulatórios e custos que serão tema de debate nas próximas semanas. Para o cenário político, a aprovação dá margem de manobra ao governo, mas também abre espaço para cobrança sobre eficácia e impactos econômicos.