O grande incêndio que consumiu áreas da Gironda, no sudoeste da França, trouxe à luz um problema inesperado: centenas de projéteis da Segunda Guerra Mundial surgiram no solo queimado, obrigando autoridades a lançar operações de desminagem. Em La Porge, a cidade mais afetada pela perda de residências, cerca de 400 munições foram recolhidas e serão armazenadas antes de serem destruídas em instalações militares.

La Porge concentrou parte da devastação: mais de 180 casas foram consumidas pelas chamas e moradores só puderam retomar suas residências agora, após a verificação de segurança. Um repórter da AFP encontrou projéteis enferrujados de aproximadamente 30 cm no terreno, e placas alertavam para "perigo de morte absoluto" nas zonas sujeitas à limpeza. Autoridades identificaram artefatos de origem alemã e francesa, sobretudo morteiros e projéteis antitanque.

O comandante dos bombeiros relatou explosões durante o avanço do fogo que podem ter sido causadas pelas munições expostas, o que intensificou o risco para equipes já cansadas. As operações de neutralização e transporte de material explosivo acrescentam complexidade logística ao processo de retorno e recuperação das comunidades, exigindo coordenação militar e tempo para destruição segura dos artefatos.

Além do impacto imediato sobre a segurança, a descoberta tem implicações institucionais: o fogo que chegou a queimar mais de 40 mil hectares em 11 dias e deslocou 224 mil pessoas já motivou investigações — o Ministério do Interior informou ter interrogado 375 pessoas, com 36 detidos. Agora, as autoridades também terão de explicar a presença dessas munições abandonadas e arcar com custos e prazos adicionais para garantir que a reocupação das áreas seja feita sem risco residual.