O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos avançou 0,9% em março, segundo o Bureau of Labor Statistics, a maior variação mensal desde junho de 2022. Na comparação anual, o CPI acelerou para 3,3% ante 2,4% em fevereiro. Economistas já esperavam a leitura de 0,9% no mês e 3,3% no acumulado em 12 meses.
O movimento refletiu, em boa parte, o choque no custo da energia após a escalada do conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã, que elevou os preços globais do petróleo em mais de 30% e empurrou a média nacional da gasolina para acima de US$4 por galão. O repasse aos combustíveis também afetou o diesel e deixou claro o impacto direto sobre custos de transporte e bens.
Excluindo alimentos e energia, o chamado núcleo do CPI subiu 0,2% no mês e 2,6% na base anual — um alívio parcial, mas insuficiente para dissipar preocupações. A leitura veio junto a sinais de recuperação do emprego, o que sugere um mercado de trabalho resiliente e reduz a margem de manobra do Federal Reserve para aliviar a política monetária ainda este ano.
Politicamente, o dado complica a promessa do presidente Donald Trump de reduzir preços, enquanto economicamente amplia a probabilidade de adiamento de cortes na taxa de juros. Se o choque do petróleo continuar a ter efeitos secundários, os consumidores podem reagir cortando gastos, o que testaria a sustentação do emprego e colocaria novos desafios à recuperação.