O governo iraniano anunciou nesta sexta-feira a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego de navios comerciais, decisão vinculada ao acordo de cessar‑fogo no Líbano entre Israel e o Hezbollah. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores, que disse haver coordenação com a autoridade portuária do país para garantir a passagem durante o período da trégua.
O estreito é um ponto estratégico: por ali transita cerca de 20% do petróleo mundial, e seu bloqueio vinha alimentando turbulências na economia global. A abertura, porém, tem caráter temporário — o país condicionou a manutenção da rota ao prazo do cessar‑fogo, que segue até a próxima terça‑feira (21). O acordo entre Teerã e Washington previa cessar hostilidades em todas as frentes como pré‑condição para avanços nas negociações.
O cessar‑fogo no Líbano começou a valer na noite anterior, com celebração entre libaneses que tentam retornar às suas cidades depois de 45 dias de guerra e deslocamento estimado em mais de um milhão de pessoas. No Irã, a trégua já estava em curso desde 8 de abril; a retomada das negociações no Paquistão fracassou recentemente e os EUA chegaram a anunciar um bloqueio naval contra portos iranianos — cuja eficácia é contestada.
O movimento iraniano dá alívio imediato às cadeias de abastecimento, mas mantém o ponto de vulnerabilidade: a rota só ficará aberta enquanto vigorar a trégua. A saída de três petroleiros iranianos com cerca de 5 milhões de barris pelo Estreito, registrada por empresas de rastreamento, expõe também dúvidas sobre a efetividade das medidas de pressão naval. Em termos políticos, a medida confere a Teerã uma alavanca em negociações e aponta que a estabilidade do fornecimento energético depende diretamente da sustentação diplomática do acordo.