A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que manterá o Estreito de Ormuz fechado e avisou que pode estender o bloqueio a “todos os outros corredores de exportação de petróleo” que beneficiem os Estados Unidos e seus aliados. A declaração, divulgada por agências estatais, vem após ofensivas americanas no estreito e anuncia uma nova fase de pressão iraniana sobre a navegação comercial.

Em comunicado, a Guarda disse ter atingido instalações que descreveu como de comando e controle e logística da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, além de atacar um centro logístico em Mina Abdullah, no Kuwait, e alvos em Azraq, na Jordânia. O Pentágono respondeu com uma nova onda de ataques que, segundo o Comando Central dos EUA, durou sete horas e atingiu dezenas de alvos militares perto do Estreito e em áreas costeiras iranianas.

A escalada vem acompanhada de movimentação naval e aérea significativa: há ao menos 19 navios de guerra norte-americanos no mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros, e centenas de aeronaves operando na região. O episódio tem impacto direto no mercado de energia: antes do conflito, cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás passavam diariamente por Ormuz, e o barril de Brent registrou oscilações após as ações militares.

A confrontação acende alerta para a segurança do comércio marítimo e para a estabilidade dos preços de energia. A retórica de Washington — com ameaças explícitas a infraestruturas iranianas caso Teerã não retome negociações — aumenta o risco de uma escalada que pode elevar custos de frete, seguros e pressionar governos aliados a escolher entre contenção e resposta mais ampla. Politicamente, o cenário complica a narrativa de desescalada e deixa aberta a possibilidade de novos choques internacionais.