As Forças Armadas do Irã advertiram nesta segunda-feira que retaliarão portos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã caso a segurança dos portos iranianos seja colocada em risco. Em comunicado do quartel-general Khatam al-Anbiya, as tropas reafirmaram que o controle das rotas marítimas na região será exercido pela República Islâmica, sinalizando tolerância zero a qualquer ação que considere hostil.
A ameaça surge após o Comando Central dos EUA anunciar um bloqueio à passagem de embarcações com origem ou destino a portos iranianos na saída do Estreito de Ormuz, medida anunciada pelo presidente Donald Trump depois do fracasso das negociações em Islamabad. Os militares norte-americanos disseram que, ainda assim, permitirão o trânsito de navios que cruzem o estreito em direção a portos não iranianos.
O anúncio já tem impacto econômico: o barril Brent voltou a subir acima de US$ 100, com alta próxima de 6,5%. O estreito é estratégico para o comércio energético — cerca de 20 milhões de barris por dia passavam pela região antes da guerra, e estima-se que aproximadamente 20% do petróleo e gás global transitem por Ormuz — o que transforma qualquer restrição em risco real para oferta e custo de transporte.
Além do efeito imediato sobre preços, a disputa eleva o risco de escalada militar e tensiona linhas diplomáticas. O Irã qualificou o bloqueio de ato ilegal e de pirataria; Washington, ao endurecer a postura, assume custos políticos e econômicos cujo preço pode ser cobrado tanto por mercados quanto por aliados. A cena exige resposta multilateral para conter impacto comercial e evitar que a retórica se converta em confrontos que perturbariam ainda mais o comércio mundial.