Forças dos Estados Unidos e do Irã protagonizaram um novo ciclo de ataques no Golfo Pérsico neste fim de semana, com emprego de mísseis e drones. Teerã afirmou ter atingido instalações militares americanas em países vizinhos e declarou o fechamento temporário do estratégico Estreito de Ormuz, enquanto os Emirados Árabes Unidos e o Catar registraram tentativas de ataque e acionaram defesas aéreas.
A ofensiva iraniana alcançou o Catar — até então mediador nas conversas de cessar-fogo — e reabriu um front que não registrava incidentes diretos contra Doha desde abril. Nos Emirados, autoridades informaram ter interceptado mísseis e drones apontados como originários do Irã. Em alto-mar, o navio porta-contêineres GFS Galaxy foi atacado na costa de Omã; 23 tripulantes foram resgatados e um cidadão indiano foi dado como desaparecido, segundo relatos oficiais.
O confronto põe em xeque o acordo provisório firmado no mês passado entre EUA e Irã, cujo objetivo era reabrir a navegação e frear a guerra após 60 dias de negociações. Na prática, a escalada expõe a fragilidade desse pacto: o Comando Central dos EUA destacou que suas forças permanecem prontas para proteger a liberdade de navegação e afirmou que o tráfego segue fluindo, enquanto Teerã criou uma Autoridade do Estreito e condicionou passagens à sua autorização, numa tentativa clara de afirmar controle e cobrar por autorizações.
Há implicações políticas e econômicas imediatas. Washington relatou operações ofensivas contra alvos iranianos — citou 140 alvos atacados em um dia e mais de 300 ao longo de três noites — numa tentativa de reduzir a capacidade de Teerã de atingir navios civis. A interrupção efetiva do estreito eleva o custo do transporte marítimo e pressiona preços de energia, fator sensível para o governo dos EUA às vésperas das eleições de novembro. Diplomaticamente, a inclusão do Catar no elenco de alvos complica o papel de mediador e aumenta a incerteza sobre próximas negociações, deixando a região vulnerável a nova rodada de retaliações e a riscos prolongados para o comércio global.