Poucas horas após o presidente dos Estados Unidos ampliar uma exigência de cessar‑fogo, forças navais iranianas dispararam contra três porta‑contêineres e apreenderam dois deles enquanto tentavam transitar pelo Estreito de Ormuz. As embarcações MSC‑Francesca, apontada por autoridades como com ligação a Israel, e Epaminondas foram escoltadas até a costa iraniana sob a acusação de violação de protocolos e alteração de sistemas de navegação.

Autoridades do IRGC anunciaram que vão inspecionar carga, documentos e histórico das embarcações. A agência de segurança marítima UKMTO relatou disparos próximos à costa de Omã e também contra ao menos uma embarcação próxima ao litoral iraniano. O presidente do Parlamento iraniano informou que Teerã não reabrirá o canal enquanto persistir o bloqueio imposto pelos EUA aos portos do país.

Em Washington, a Casa Branca tentou reduzir a dimensão do incidente, classificando as embarcações como não americanas e destacando que o bloqueio dos EUA segue em vigor; a fala serviu para relativizar uma possível quebra do cessar‑fogo. Ao mesmo tempo, o presidente americano indicou expectativa por um novo ciclo de negociações na região nos próximos dias, em meio a uma agenda diplomática de alto risco.

Especialistas lembram que o fechamento do Estreito tem impacto econômico direto — cerca de 20% do petróleo mundial passa pela rota — e que a apreensão de navios neutros pode violar o direito marítimo e as leis da guerra naval. A ação iraniana aumenta as chances de escalada, complica a estratégia dos EUA e pressiona aliados e armadores a rever rotas e seguros. A postura de minimizar o episódio pode reduzir o espaço de manobra diplomático e elevar custos políticos e comerciais.