O presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati, disse em declaração à mídia estatal que o Irã se tornará “em breve” membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição criada pelos países do Brics para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. O comentário foi divulgado antes da reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do bloco, organizada pela Índia, que detém a presidência rotativa neste ano.

O anúncio reforça um movimento já anunciado: o Irã, que integrou o Brics em 2024, busca canais financeiros alternativos enquanto permanece sujeito a sanções dos Estados Unidos e de parte da comunidade internacional. A própria expansão do NDB — que já incluiu Emirados Árabes Unidos, Egito e outros membros — faz parte de uma estratégia do bloco para reduzir a dependência do dólar e promover transações em moedas locais.

A pretensão iraniana suscita questões práticas e políticas. Do ponto de vista operacional, a adesão dependerá das regras internas do NDB e do aval dos acionistas atuais; do ponto de vista geopolítico, a entrada de Teerã pode gerar desconforto junto a países ocidentais e testar a capacidade do banco de manter padrões de governança e aceitação internacional. A declaração oficial veio de Hemmati, conforme reportou a mídia estatal, e ainda não representa um ato administrativo finalizado.

Para o Brics, admitir o Irã seria mais um sinal da reconfiguração do mapa de alianças econômicas, com impacto real nas relações comerciais e financeiras globais. Para Teerã, a participação no NDB abriria perspectivas de financiamento e integração econômica que se apresentam hoje como alternativas estratégicas ao sistema baseado no dólar — uma mudança com consequências políticas e institucionais que merecem acompanhamento atento.