Islamabad sedia neste sábado uma rara reunião trilateral entre representantes dos Estados Unidos, do Irã e do próprio Paquistão com o objetivo declarado de transformar o cessar‑fogo recente em um acordo mais sólido. As negociações ocorrem no Serena Hotel, apontado pela imprensa como escolha por razões de segurança, enquanto a capital funciona em regime excepcional: lojas e comércios fecharam dias antes da chegada das delegações.

A comitiva iraniana é liderada por Mohammad Baqer Qalibaf e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Aragchi, e inclui cerca de 70 integrantes. Pelo lado norte‑americano, a delegação tem a liderança do vice‑presidente J.D. Vance, com a presença do enviado especial Steve Witkoff e de Jared Kushner. Ambos os grupos foram recebidos pelo primeiro‑ministro paquistanês Shehbaz Sharif na manhã deste sábado, segundo relatos da Agência Lusa.

O encontro acontece na esteira do cessar‑fogo anunciado por Donald Trump na noite de terça‑feira (7) — decisão que, segundo fontes, sucedeu a uma oferta paquistanesa de mediação. O episódio deixa sinais claros: além do alívio temporário pela suspensão dos combates, há um desgaste político para Washington, que chegou a ameaçar um ataque de grande escala antes de recuar. Para Teerã, a presença de altos interlocutores indica disposição para converter a trégua em aval diplomático, mas sem cessar as desconfianças.

O desafio prático é transformar intenções em garantias verificáveis. A reunião em Islamabad pode reduzir a escalada imediata, mas não elimina riscos de retomada das hostilidades caso medidas de fiscalização, prazos e incentivos não sejam definidos. Politicamente, o encontro expõe custos e contradições para lideranças que adotaram retórica de linha dura; se não produzir resultados concretos, tende a ampliar críticas e cultivar instabilidade regional.