Em pronunciamento lido nas emissoras do Irã, o novo líder supremo, o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou que a gestão do Estreito de Ormuz será levada “a um novo patamar”. O discurso ocorreu durante atos pelo 40º dia da morte de seu pai, Ali Khamenei, e reafirmou apoio à chamada “frente da Resistência”, incluindo frentes no Líbano e na Faixa de Gaza.
Khamenei também aconselhou os países do Golfo a se afastarem de Israel e dos Estados Unidos, enviando um recado direto a Emirados, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita. A declaração reforça a capacidade de Teerã de pressionar vizinhos e aliados ocidentais a partir do controle de uma rota pela qual passa cerca de 20% do petróleo e do gás global.
O fechamento do Estreito, que já foi usado como retaliação no conflito em curso, provocou alta dos preços de energia no passado e expõe a economia mundial a choques de oferta. Ao mesmo tempo, Mojtaba Khamenei pediu que a população mantenha manifestações de rua e anunciou exigência de indenizações por danos da guerra, ampliando a narrativa interna de unidade e sacrifício.
Apesar do anúncio de um cessar‑fogo temporário para negociações, o tom do novo líder complica a diplomacia e eleva o risco de novas represálias. A postura iraniana pressiona os países do Golfo a escolherem entre alinhamento com Washington e preservação de interesses econômicos, enquanto operadores e governos enfrentam maior incerteza sobre segurança marítima e mercados energéticos.