O governo iraniano declarou que o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz está “completamente aberto” durante o período do cessar‑fogo no Líbano, uma via essencial por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A declaração do chanceler Seyed Abbas Araghchi levou a uma queda acentuada nos preços: o barril Brent caiu cerca de 9,1% para US$ 90,38, e o WTI recuou 11,45%, a US$ 83,85.

A reação de Washington complicou o quadro. O presidente Donald Trump comemorou a decisão nas redes e afirmou que minas marítimas estariam sendo removidas, mas deixou claro que o bloqueio imposto aos portos iranianos permanecerá em vigor até que uma “transação” com o Irã esteja 100% concluída. O posicionamento cria uma contradição prática entre a reabertura anunciada por Teerã e as restrições militares e econômicas mantidas pelos EUA.

Analistas consultados pelo Correio ressaltam a ambiguidade do movimento. O estudioso Trita Parsi avaliou que nem os norte‑americanos impuseram um bloqueio totalmente eficaz nem o Irã levantou de fato todos os obstáculos à navegação. Eugene Gholz, da Universidade de Notre Dame, lembrou que Teerã já fez anúncios semelhantes no passado e que a novidade agora é a ausência de menção à cobrança de pedágio, possivelmente reflexo de concessões relacionadas ao cessar‑fogo.

O resultado é um alívio temporário para os mercados, porém sem garantia de normalidade duradoura no tráfego marítimo. A manutenção do bloqueio americano reduz o efeito prático da reabertura, expondo uma negociação ainda frágil entre Washington e Teerã. Politicamente, o episódio sinaliza um esforço de ambos os lados por ganhos simbólicos que, por ora, não resolvem a incerteza sobre segurança naval, comércio e estabilidade dos preços energéticos.