O governo iraniano condenou nesta segunda-feira o bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos, qualificando a medida como ilegal e chegando a descrevê-la como ato de pirataria. A reação de Teerã veio horas antes do início previsto da operação americana, marcado para as 11h, no horário de Brasília.

Segundo o Comando Central norte-americano, a iniciativa pretende barrar a passagem de embarcações com origem ou destino em portos iranianos, assim como aquelas que tenham feito pagamentos ao governo do Irã. O comando afirmou que somente navios sem qualquer ligação com o Irã poderão atravessar o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo mundial.

Em comunicado, as Forças Armadas iranianas advertiram que qualquer restrição à navegação relacionada ao país terá consequências e rejeitaram a ideia de segurança seletiva nas águas regionais. A nota sugere que, na visão de Teerã, nenhum porto na área estaria livre de risco caso Washington avance com a proibição.

O primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou apoio à medida americana, enquanto o presidente dos EUA justificou a ação como resposta a supostas práticas irregulares iranianas no controle da navegação. Especialistas e autoridades apontam que a medida aumenta o potencial de incidentes, ameaça acordos de cessar‑fogo em curso e pressiona a diplomacia da região.

Do ponto de vista estratégico, a operação expõe riscos dupla: para Washington, o custo político e a possibilidade de escalada militar; para Teerã, a tentação de demonstrar capacidade de retaliação. No curto prazo, a tensa combinação de bloqueio e ameaça iraniana deve elevar a incerteza sobre segurança marítima e comércio no Golfo.