O exército israelense intensificou ataques no sul do Líbano nesta quarta-feira, renovando ordens de evacuação para moradores da faixa fronteiriça. O movimento pró-iraniano Hezbollah não reivindicou novas ações desde cerca de 1h local, coincidindo com o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã.
Apesar de manifestar apoio ao acordo entre Washington e Teerã, Israel deixou claro que o pacto "não engloba o Líbano" e manteve operações em localidades como a região de Tiro. Uma nova ordem militar determinou que residentes entre a fronteira e o rio Zahrani — cerca de 40 km ao norte — deixassem suas casas, enquanto forças israelenses ocupam áreas do sul libanês.
O exército afirmou que as operações no sul do Líbano não estão cobertas pelo acordo de trégua com o Irã e que a batalha prossegue.
A ofensiva acumulou um custo humanitário elevado: desde 2 de março, ataques e incursões na região já deixaram mais de 1.500 mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas, segundo relatos. Autoridades libanesas pediram que deslocados aguardem antes de retornar; ainda assim, imagens mostram alguns civis voltando cautelosamente às áreas menos afetadas.
O cenário expõe uma contradição diplomática: Israel apoia o cessar-fogo bilateral, mas a manutenção de ataques no Líbano complica a narrativa oficial e amplia riscos de escalada regional. A persistência das operações pressiona civis, aumenta a crise humanitária e cria um impasse político entre atores locais e internacionais envolvidos na mediação.
No terreno, a mensagem é de incerteza: ordens de evacuação e instruções para não retornar mantêm milhares em deslocamento, enquanto líderes do Hezbollah pedem uma trégua oficial antes do retorno. A perspectiva imediata é de continuidade do confronto e de necessidade urgente de medidas humanitárias e diplomáticas para conter a escalada.
O Hezbollah orientou os deslocados a não voltarem para suas casas até que exista um cessar-fogo formal e definitivo.