O autoproclamado pastor Paul Mackenzie foi considerado culpado pelo assassinato de 191 pessoas em julgamento realizado em Mombasa. Quase todas as vítimas eram crianças; o tribunal concluiu que seguidores da seita foram instruídos a deixar seus filhos morrerem de fome como parte de uma doutrina apocalíptica. Mackenzie foi preso em 2023, depois que investigações na floresta de Shakahola revelaram mais de 400 corpos em covas rasas.
Ao proferir o veredito, a juíza descreveu a crença dos fiéis de que Mackenzie era um porta-voz divino. A seita proibira educação e tratamentos médicos, e funerais na mata eram ritualizados como “casamentos” com a fé. Vinte e oito outros líderes também foram condenados por homicídio; todos mantiveram inocência durante o processo, e apenas um dos acusados inicialmente fez acordo com a promotoria e depôs como testemunha.
Relatos de escavadores e parentes das vítimas compuseram parte central da instrução criminal: trabalhadores contratados encontraram valas com múltiplos corpos — inclusive de recém-nascidos — alguns com sinais de amarração. Familiares de diversas regiões do país reconheceram mortos levados à floresta. Um dos pais, que perdeu os filhos, afirmou sentir alívio com as condenações, após a dor de identificar e enterrar restos humanos.
Além do impacto humano, o caso levanta questões institucionais: abre-se um debate sobre fiscalização de grupos religiosos, proteção de crianças e atuação antecipada das autoridades. Mackenzie e os demais réus ainda respondem por acusações adicionais, como terrorismo e negação de educação; a sentença será fixada em 6 de novembro. A condenação impõe à sociedade e ao Estado a necessidade de medidas para evitar que práticas semelhantes voltem a vitimar populações vulneráveis.