A primeira sondagem realizada após a divulgação das mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, devolve ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vantagem em simulação de segundo turno. A pesquisa AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira (19/05) e encomendada pela Bloomberg, aponta Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio — diferença de 7,1 pontos percentuais. O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio e tem margem de erro de um ponto percentual. Os áudios foram tornados públicos no dia 13 de maio.

Comparada ao mês anterior, a sondagem registra deslocamentos relevantes: Lula cresceu 1,4 ponto percentual na simulação de 2º turno, enquanto Flávio teve queda de seis pontos, segundo a AtlasIntel. O número de indecisos e de eleitores que disseram votar nulo saltou 4,6 pontos, para 9,3%, indicando aumento de volatilidade entre os eleitores. A rejeição a Flávio subiu 2 pontos, alcançando 52% — o maior índice entre os pré-candidatos avaliados — enquanto a rejeição a Lula permanece elevada, em 50,6%, nível similar ao de abril. O levantamento também mostra mudança na percepção sobre o escândalo do Master: 43% dos entrevistados consideram que o grupo de Bolsonaro está mais envolvido nas supostas fraudes, contra 33% que citam aliados de Lula. Entre os entrevistados que afirmaram ter conhecimento das mensagens vazadas, 55% viram nos áudios sinal de um processo investigativo legítimo, e 33% interpretaram como tentativa de prejudicar Flávio.

Os dados têm implicações políticas claras. A queda de Flávio e o aumento dos indecisos acendem alerta para a pré-candidatura do senador: além da erosão de intenção de voto, o aumento da rejeição reduz a margem de crescimento em um turno definitivo e complica a formação de ampla coalizão. Para o campo bolsonarista, o resultado amplia o desgaste e exige resposta política e de imagem imediata, em especial diante do elogio à validade dos áudios por parte da maioria dos que os conhecem. Para Lula, a virada sinaliza alívio momentâneo e abertura estratégica, mas não elimina a vulnerabilidade causada pela persistente taxa de rejeição e pelas demais frentes de desgaste que a gestão enfrenta.

É preciso lembrar que pesquisa é retrato de momento, não previsão. A sondagem da AtlasIntel oferece uma janela sobre efeitos imediatos do vazamento, mas a sustentação dessa tendência dependerá de desdobramentos das investigações, da capacidade das campanhas de reagir e do comportamento do eleitorado nas próximas semanas. Para 2026, o estudo indica que a disputa pode continuar reagindo fortemente a escândalos e narrativas, elevando o custo político de novos episódios e pressionando estratégias de comunicação e litígio dos envolvidos.