O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o envio de ajuda humanitária à Bolívia após uma conversa por telefone com o presidente Rodrigo Paz, informou o Palácio do Planalto. A medida atende a um pedido formal do governo boliviano em meio à deterioração da situação nas estradas do país vizinho.

A Bolívia vive uma onda de protestos e bloqueios que se intensificaram nas últimas semanas, sobretudo nas áreas ao redor de La Paz, e têm provocado escassez de alimentos, combustíveis e outros insumos em mercados locais. Os atos reúnem camponeses, povos indígenas, mineiros, professores e outros setores, insatisfeitos com medidas tomadas pelo novo governo.

Entre as decisões que desencadearam as manifestações estava um decreto que retirou subsídios à gasolina e, mais recentemente, uma lei sobre terras que foi acusada por movimentos sociais de privilegiar interesses do agronegócio. A lei foi revogada na semana passada por Rodrigo Paz, mas os protestos continuaram e ganharam adesões.

Além do socorro emergencial, a interlocução entre Brasil e Bolívia evidencia a dimensão política da crise: a situação expõe o desafio de governabilidade do novo governo boliviano — que assumiu após quase 20 anos de hegemonia de esquerda — e mostra que a revogação legislativa não foi suficiente para acomodar as tensões. Para o governo brasileiro, a resposta é humanitária, mas também reforça o papel do país como ator regional num momento de instabilidade.