Em entrevista coletiva após o encerramento da Cúpula do G7 em Évian, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o colega americano Donald Trump não se envolva nas eleições brasileiras. Lula afirmou que as preferências pessoais de Trump por figuras políticas brasileiras são um assunto particular, mas que qualquer tentativa de interferência seria inaceitável e violaria o respeito entre nações.

A reação veio depois de Trump descrever o Brasil como "um pouco perigoso politicamente" e mencionar a situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, recentemente condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Em Évian, o americano afirmou que há movimentações para prender o ex-parlamentar e sugeriu que os Estados Unidos atuariam com mais força, comentário que tensionou ainda mais o diálogo entre os dois presidentes.

O episódio acende alerta sobre o impacto de declarações de líderes estrangeiros no cenário eleitoral brasileiro. Para Lula, as eleições são um assunto interno e a menção pública de autoridades externas pode ser explorada politicamente por adversários e alimentar narrativas de intervenção. No plano diplomático, a troca expõe risco de desgaste nas relações entre Brasília e Washington se o diálogo seguir amparado em declarações públicas confrontadas.

Ao cobrar respeito à soberania e invocar um código de ética entre países, o presidente brasileiro buscou reduzir a escalada retórica, mas deixou claro que haverá reação a qualquer tentativa de influência externa sobre o processo eleitoral. A tensão registrada em Évian reforça a necessidade de cautela diplomática entre as duas administrações na preparação para o ciclo eleitoral de 2026.