A líder opositora venezuelana María Corina Machado afirmou, em vídeo gravado no exílio e publicado no X, que o recente acordo petroleiro anunciado pelos Estados Unidos e pelo governo interino de Delcy Rodríguez é insuficiente para a reconstrução da Venezuela. Segundo Machado, o setor petrolífero representa apenas uma fração das necessidades do país e a recuperação exigirá investimentos massivos e reformas institucionais profundas.
O convênio, classificado por autoridades americanas como histórico, daria aos EUA acesso a cerca de 20% das reservas e controle sobre dezenas de bilhões de barris em diversos campos, enquanto Caracas projeta receitas bilionárias ao longo de décadas. Para Machado, porém, a exploração desses ativos por si só não resolve problemas de governança, legalidade e eficiência — pontos que ela condiciona à legitimidade de quem administra os recursos.
A declaração expõe uma tensão política clara: a oposição tradicional está fragmentada, com parte dela participando de diálogos auspiciados por Washington dos quais Machado foi excluída. A crítica da dirigente aponta para um dilema estratégico dos EUA e de interlocutores internacionais: atrair capitais e multinacionais sem resolver a disputa sobre quem tem mandato para decidir sobre o patrimônio nacional pode gerar conflitos legais e políticos futuros.
Do ponto de vista econômico e institucional, o acordo traz benefício potencial em receitas e investimento, mas também eleva a necessidade de garantias públicas — auditoria, regras claras de contrato e mecanismos de prestação de contas — para evitar que a contraofensiva seja apenas transferência de renda sem reconstrução sustentável. Politicamente, o episódio amplia o debate sobre soberania, legitimidade e os limites de alianças externas numa transição que ainda parece incerta.