Mediadores regionais intensificaram a pressão para restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz depois que Teerã concordou em elaborar uma lista de condições para a reabertura. A iniciativa ocorreu após uma missão do primeiro‑ministro e chanceler do Catar a Teerã — em que foi cobrada a observância da liberdade de navegação — e marca a centralidade de terceiros na negociação, enquanto Washington adota uma estratégia de pressão econômica.
O xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani visitou Teerã na quinta‑feira (27) e, segundo postagem no X, destacou às autoridades iranianas a necessidade de retorno à situação pré‑guerra de passagem aberta por uma via internacional. Em junho, Catar e Paquistão haviam intermediado um memorando que levou a um cessar‑fogo, mas o acordo rapidamente se desfez diante das divergências entre Irã e Estados Unidos sobre o estreito — rota que movimentava cerca de 20% do abastecimento global de petróleo antes do conflito.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, qualificou as conversas como “criativas” e pediu que os EUA abandonem a pressão militar e econômica e retornem às negociações. O governo em Teerã também condenou as novas sanções americanas como “terrorismo de Estado”. Mohsen Rezaei, do Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse que o Irã prepara uma lista de condições e relatou um acordo com Omã para um corredor de navegação que mesclaria águas omanitas e iranianas, com um canal central designado caso os EUA atendam às cláusulas exigidas por Teerã. No passado, essas cláusulas incluíram fim de bloqueios, indenizações e retirada de sanções; não está claro se serão moderadas a ponto de serem aceitáveis para Washington.
O quadro expõe uma dupla tensão: ao mesmo tempo em que o bloqueio parcial do estreito dá a Teerã alavanca negociadora e pressiona preços, a opção dos EUA por sanções e isolamento complica a reconciliação necessária para uma reabertura segura e estável. A presença de mediadores como Catar e Paquistão torna‑se decisiva, mas o desenlace dependerá da disposição de Washington em abandonar a linha maximalista — ou de Teerã em flexibilizar demandas históricas. O impasse acende alerta para os mercados e para a diplomacia internacional.