O menino Roo, de sete anos, foi internado após apresentar perda de peso, sede intensa, vômitos e sonolência no início do ano passado. Investigações médicas inicialmente consideraram a possibilidade de tumor cerebral, mas exames revelaram lesão renal aguda e níveis perigosamente altos de cálcio no sangue.

A origem do problema foi uma prescrição de dezembro de 2024: gotas de vitamina D3 em alta dosagem para tratar dores nas pernas. O frasco consumido por Roo continha concentração cerca de sete vezes maior que o normal, parte de um entre dois lotes defeituosos distribuídos no Reino Unido. Um especialista disse à BBC que, se a criança tivesse seguido o tratamento até o fim, poderia ter morrido.

Houve recall dos lotes, mas a farmácia que forneceu o produto não foi informada sobre o problema de fabricação. No Reino Unido, vitaminas em doses elevadas ainda são tratadas como suplementos alimentares e fiscalizadas pela Agência de Padrões Alimentares (FSA), enquanto a Agência Reguladora de Remédios (MHRA) supervisiona medicamentos. A MHRA afirma colaborar com a FSA, mas especialistas citados pela imprensa defendem revisão regulatória.

O caso expõe uma lacuna institucional que tem consequências reais para pacientes: quando produtos prescritos para tratar condições clínicas não são sujeitos ao mesmo padrão de controle de medicamentos, erros de fabricação podem alcançar consumidores sem detecção rápida. No Brasil, a Anvisa fiscaliza tanto medicamentos quanto suplementos, um contraste que virou argumento para quem pede mudança na regulação britânica.

Além do impacto médico sobre a família — a mãe, Carys Hobbs-Sargeant, relata que Roo perdeu mais de 10% do peso corporal em seis semanas — o episódio coloca pressão sobre as agências reguladoras e sobre distribuidores para aprimorar rastreabilidade, comunicação de recalls e critérios de classificação de produtos que, embora chamados de suplementos, são usados sob prescrição clínica.