A Meta reposicionou seu projeto de óculos inteligentes com o lançamento da Ray‑Ban Meta Audio, uma versão sem câmera e focada em funções de som. O movimento ocorre em contexto sensível: a primeira geração, lançada em 2023 em parceria com a Ray‑Ban, enfrentou forte rejeição pública depois de relatos de uso para filmagens não consentidas e episódios de assédio que alimentaram apelidos pejorativos ao produto.
A reação social não ficou apenas nas redes. Instituições e espaços no Reino Unido — de pubs e teatros a convenções e até uma base naval — decidiram proibir o uso dos óculos. A contratação de uma personalidade como modelo não conseguiu apagar as críticas. A Meta, por sua vez, afirma que a nova versão estava em desenvolvimento há dois anos e nega que o lançamento tenha sido uma resposta imediata ao furor público.
Do ponto de vista do produto, o modelo só de áudio é mais barato, tem armação mais leve e bateria com maior autonomia, segundo a empresa. Para analistas e profissionais do setor, trata‑se de um ajuste pragmático: oferece as utilidades que muitos usuários valorizam — chamadas e reprodução de música com som direcionado — sem o principal foco de receio público, a câmera.
Fica, porém, a pergunta política e de mercado: essa opção corrige o problema de confiança ou apenas cria um subproduto de nicho para consumidores desconectados do ecossistema de captura de imagens? A resposta terá impacto prático sobre vendas e reputação da Meta, e dificilmente encerrará o debate sobre vigilância, consentimento e limites de dispositivos vestíveis.