Representantes militares de mais de 30 países se reúnem nesta quarta-feira em Northwood, nos arredores de Londres, para detalhar um possível plano operacional destinado a reabrir o Estreito de Ormuz. A iniciativa, liderada pelo Reino Unido e pela França, busca traduzir o consenso político obtido na semana passada em Paris em uma estrutura militar capaz de garantir a livre passagem por uma rota marítima vital para o comércio e para o abastecimento energético mundial.

O encontro de dois dias, convocado pelo Ministério da Defesa britânico, terá como foco a avaliação das capacidades disponíveis, a definição de comandos e controles e os potenciais destacamentos necessários para ativar a operação assim que as condições permitirem. A proposta franco-britânica, endossada por cerca de 50 governos e organizações em Paris, é apresentada como estritamente defensiva e voltada à proteção do tráfego marítimo.

O contexto imediato agrava a urgência: o cessar-fogo temporário declarado após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã termina nesta data, embora Washington tenha aceitado, a pedido do Paquistão, prorrogar a trégua até que Teerã apresente uma proposta de acordo. EUA e Irã ainda não chegaram a um entendimento sobre a passagem pelo Estreito, cuja interrupção por Teerã foi reação direta à ofensiva conjunta.

A iniciativa internacional tende a oferecer resposta coletiva aos riscos à segurança energética e ao comércio, mas acarreta dilemas políticos e logísticos para os países participantes: comando multinacional, regras de engajamento, extensão do mandato e custo político de envolvimento em possível confronto. A capacidade de transformar apoio político em uma missão coesa será determinante para a efetiva reabertura de Ormuz sem escalada adicional.