Uma mulher de 42 anos, identificada como Simone Aparecida, morreu após ser violentamente agredida pelo companheiro na região de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. As agressões ocorreram entre domingo e segunda-feira, e o caso foi registrado pela polícia como feminicídio. O suspeito, apontado pela corporação como Rodrigo Clécio Gomes Ferreira, de 38 anos, foi detido em flagrante no local.

Segundo relatos coletados pela Polícia Militar no imóvel, a equipe foi inicialmente chamada para atender um desentendimento entre o casal. No atendimento, constataram que Simone apresentava múltiplas lesões, especialmente na região das costelas; há também registro de que o suspeito teria impedido a ação de uma equipe do Samu durante a ocorrência. A vítima foi socorrida e levada em estado grave à UPA Tito Lopes, onde recebeu os primeiros cuidados.

A vítima afirmou que mantinha o relacionamento havia cerca de cinco anos e que já havia sido agredida anteriormente.

Apesar do socorro inicial, Simone foi liberada posteriormente da unidade de pronto atendimento e retornou ao domicílio em cadeira de rodas. Na manhã seguinte, a gravidade das dores aumentou e ela precisou ser transferida ao Hospital do Planalto, onde acabou não resistindo aos ferimentos. Mesmo hospitalizada, a vítima conseguiu prestar depoimento por telefone, relatando agressões anteriores e pedindo proteção durante o relacionamento.

No depoimento registrado, Simone afirmou que mantinha a relação com o agressor por cerca de cinco anos e que o casal tinha um filho de aproximadamente 1 ano e 4 meses. Ela disse ainda ter sofrido violência em episódios anteriores e havia solicitado medida protetiva por temor de novas agressões. Esses elementos agravam a tipificação do crime como feminicídio e orientam a investigação sobre histórico de violência doméstica não interrompida.

A investigação segue conduzida pela Polícia Civil. O suspeito foi encaminhado ao 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, e a Secretaria da Segurança Pública informou que a autoridade policial solicitou a conversão da prisão em flagrante para preventiva. Além disso, havia um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça Federal contra o detido, fato que amplia o conjunto de apurações em curso e a complexidade processual do caso.

Ela relatou que o suspeito chegou embriagado e passou a agredi-la, atingindo principalmente o abdômen e as costelas.

O episódio acende um alerta sobre a eficácia das medidas protetivas e a coordenação entre serviços de saúde e segurança pública. Mesmo tendo solicitado proteção, a vítima retornou ao convívio com o agressor após alta médica, situação que revela fragilidades no acompanhamento multidisciplinar necessário para vítimas de violência doméstica. A interferência no atendimento pré-hospitalar por parte do suspeito também aponta risco imediato ao socorro e à preservação de provas.

Além do impacto pessoal e familiar — com uma criança pequena diretamente afetada pela perda e pela detenção do pai —, o caso alimenta um debate público sobre respostas institucionais. A prisão em flagrante e o pedido de preventiva são passos esperados, mas a tragédia coloca em evidência a necessidade de medidas mais eficazes para evitar que denúncias e pedidos de proteção não se convertam em socorro insuficiente. A apuração segue; o suspeito permanece à disposição da Justiça enquanto a investigação avança.