Quatro astronautas partiram da Flórida nesta quarta-feira na missão Artemis 2, da Nasa, em uma viagem de quase 10 dias ao redor da Lua que a agência classifica como de alto risco. É a primeira missão lunar tripulada americana em cerca de meio século e um marco técnico e simbólico para o programa Artemis.
O foguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS), acoplado à cápsula Orion, ganhou vida pouco antes do pôr do sol no Centro Espacial Kennedy, deixando para trás uma coluna imponente de vapor. A tripulação — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch (Nasa) e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense) — concluiu quase três anos de treinamento para a expedição.
A Artemis 2 testa sistemas que decidirão o futuro do programa lunar americano.
A decolagem valida, em tese, a capacidade do SLS — um veículo de 30 andares — de transportar humanos e entrega uma vitória técnica importante para contratantes como Boeing e Northrop Grumman. Ao mesmo tempo, expõe a tensão da Nasa entre sistemas caros e pesados e a dependência crescente de alternativas mais baratas e comerciais, como os foguetes da SpaceX.
Construída pela Lockheed Martin, a cápsula Orion se separará do estágio superior do SLS após cerca de 3 horas e meia em órbita terrestre. Os astronautas vão assumir o controle manual para testar manobrabilidade em torno do estágio separado, um dos primeiros de dezenas de testes planejados que definirão a segurança e a reliabilidade do sistema para voos futuros.
Artemis 2 é etapa inicial do programa multibilionário criado em 2017, cuja meta oficial é o primeiro pouso tripulado na superfície lunar na missão Artemis 4, prevista para 2028. O cronograma e o orçamento do programa tornam cada teste crucial: atrasos ou falhas podem inflamar críticas políticas e pressionar por revisão de contratos e prioridades.
O sucesso ou a falha terá impacto direto sobre contratos, cronogramas e credibilidade internacional.
Além do simbolismo, a missão tem importância geopolítica: enquanto a Nasa corre para restaurar presença humana na Lua, a China amplia seu programa lunar com planejamento de pouso tripulado para os próximos anos. O resultado da Artemis 2, técnico e político, influenciará prazos, custos e a confiança internacional no esforço americano de volta à superfície lunar.