Dados de navegação mostram que, desde quinta-feira (2), três petroleiros operados por empresa de Omã, um porta‑contêineres ligado à francesa CMA CGM e um transportador de GNL copropiedade da japonesa Mitsui cruzaram o Estreito de Ormuz. As movimentações seguem a decisão iraniana de autorizar a passagem de embarcações consideradas sem vínculos com Estados Unidos ou Israel.
O fechamento inicial do Estreito — rota estratégica por onde passam cerca de 20% dos fluxos globais de petróleo e GNL — ocorreu depois de ataques aéreos atribuídos aos EUA e a Israel no fim de fevereiro, que elevaram o risco de escalada. Desde então, o tráfego teve episódios de fuga de navios seguidos por paralisações totais, e os mercados seguem atentos a sinais de normalização.
Macron afirmou que somente esforços diplomáticos, não operações militares, poderiam abrir novamente o Estreito.
O navio da CMA CGM informou sua nacionalidade às autoridades iranianas ao ajustar o destino no Sistema de Identificação Automática, e várias embarcações aparentemente desativaram seus transponders AIS durante a travessia, reduzindo a rastreabilidade pública. Dados também registraram saídas de outros petroleiros e de um transportador de GLP que rumou à China.
Omã, que atuou como mediador entre Teerã e Washington antes dos ataques, criticou as operações militares enquanto as negociações estavam em curso. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que apenas a diplomacia poderia reabrir o Estreito, e a Mitsui confirmou que o Sohar LNG cruzou a passagem — marcos que reforçam o peso das vias diplomáticas na crise.
A retomada parcial do tráfego alivia momentaneamente cadeias de abastecimento e atenua pressões imediatas sobre preços, mas mantém riscos latentes: o critério de 'amistosidade' imposto por Teerã e a prática de desligar sinais de rastreamento deixam a passagem vulnerável a novas interrupções, com impacto direto em mercados de energia e na logística global.
A Mitsui confirmou que o navio Sohar LNG, do qual é coproprietária, cruzou o Estreito, tornando-se o primeiro transporte ligado ao Japão desde o início do conflito.