O novo julgamento pela morte de Diego Maradona começa nesta terça-feira (14) em San Isidro, nos arredores de Buenos Aires, quase um ano depois da anulação do primeiro processo. O cancelamento, determinado após a revelação de que uma das magistradas participava de um documentário sobre o caso, apagou 20 audiências e 44 depoimentos colhidos ao longo de dois meses e meio.
A exposição da juíza Julieta Makintach em imagens promocionais do filme — que a mostravam circulando por corredores do tribunal e sendo entrevistada no gabinete — provocou afastamento e, posteriormente, sua destituição em julgamento político. O episódio transformou o processo em manchete e obrigou a Corte a reconstituir a tramitação, com reflexos óbvios na credibilidade do juízo e na percepção pública do caso.
A nova fase deverá ouvir cerca de 120 testemunhas em aproximadamente 30 audiências, realizadas duas vezes por semana, e tem previsão de se estender pelo menos até julho. Sete profissionais de saúde são acusados de homicídio com dolo eventual — hipótese que, se comprovada, aponta que os réus tinham consciência do risco de morte —; uma oitava pessoa será julgada separadamente. As defesas mantêm que Maradona faleceu por causas naturais.
O promotor responsável adianta que a estratégia foi reformulada após o fracasso do primeiro julgamento, mas afirma a intenção de evitar impunidade. Para a família, advogados chegaram a classificar a conduta da equipe médica como decisiva na morte do ícone, enquanto as defesas contestam essa versão. Além de buscar responsabilidades individuais, o desfecho terá impacto sobre a confiança institucional e sobre o exame das práticas de atenção domiciliar adotadas no caso.