A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou nesta terça-feira a importância de calendários de vacinação definidos com base em evidências científicas, em resposta ao decreto do presidente dos Estados Unidos que reduziu o número de vacinas infantis recomendadas de 17 para 11. A decisão, assinada na segunda-feira, foi justificada pela Casa Branca como um alinhamento com outros países desenvolvidos.
Em Genebra, o porta‑voz da OMS explicou que o momento de aplicação de cada imunizante resulta de décadas de pesquisas sobre vulnerabilidade a doenças e desenvolvimento do sistema imunológico. A organização lembra que orientações do seu grupo técnico SAGE e de comitês nacionais independentes sustentam as recomendações adotadas pelos governos.
A medida avança uma agenda defendida pelo secretário de Saúde norte‑americano, Robert F. Kennedy Jr., figura conhecida por questionar a segurança das vacinas e por promover alegações já desmentidas por estudos e autoridades de saúde pública. Especialistas consultados pela OMS e associações médicas afirmam não haver novas evidências que justifiquem reduzir o calendário vigente nos EUA.
A ordem presidencial também propõe que a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola seja aplicada em três doses separadas. Fabricantes como a MSD advertiram que não há dados publicados que mostrem benefício na fragmentação da vacina e que visitas adicionais podem aumentar atrasos ou falhas na imunização.
Além do risco sanitário de maior exposição infantil a doenças preveníveis, a mudança tende a criar incerteza entre pais e gestores de saúde e a provocar atrito entre decisões políticas e recomendações técnicas. A reação de órgãos internacionais e da comunidade médica aponta para um debate que mistura ciência, política e custo reputacional para a administração que impulsionou a alteração.