Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas condenaram, na quinta-feira (6), as medidas recentes dos Estados Unidos contra Cuba e pediram resposta rápida da comunidade internacional para evitar o que definiram como o surgimento de uma “Gaza silenciosa” na ilha. Em nota, os peritos afirmaram que o uso de alimentos e insumos como instrumento de pressão política fere direitos básicos e prejudica a dignidade humana.
O alerta acontece em meio a um agravamento visível na vida cotidiana de cubanos: o esgotamento de estoques de combustível provocou falhas na geração elétrica, apagões recorrentes e paralisação do transporte público, e o ano letivo sofreu encurtamento por falta de recursos. A crise levou também empresas dos setores de turismo e financeiro a reduzirem ou encerrarem operações no país, ampliando os efeitos econômicos e sociais do bloqueio.
Do lado político, o presidente Miguel Díaz-Canel classificou as medidas como "genocídio político" e pediu o fim do bloqueio, agradecendo grupos que enviaram ajuda humanitária. Washington, por sua vez, atribui o colapso à má gestão e à falta de investimento do governo cubano. A tensão expõe uma contradição: as sanções podem agravar o sofrimento civil e, ao mesmo tempo, reforçar o discurso do regime, reduzindo espaço para alternativas internas e pressionando parceiros regionais.
O apelo dos especialistas da ONU acende alerta sobre o custo político e humanitário das sanções e sobre a necessidade de medidas direcionadas que protejam civis. A comunidade internacional tem diante de si a opção entre ampliar isolamento — com consequências imediatas para a população — ou buscar mecanismos que permitam assistência humanitária e diálogo, mitigando impactos sociais e riscos de instabilidade regional.