Pela primeira vez desde 1979, delegações de alto nível dos Estados Unidos e do Irã sentaram-se frente a frente em Islamabad para conversas diretas. A comitiva americana incluiu o vice-presidente J.D. Vance, o enviado Steve Witkoff e Jared Kushner; pelo lado iraniano, estiveram o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi. As rodadas ocorreram ao longo da madrugada e o Paquistão atuou como anfitrião e mediador.
O nó inicial das negociações foi o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana avisou que confrontará navios militares que tentem transitar pela via, em posição apresentada como defesa da soberania. Washington, por sua vez, teria enviado navios para atuar contra minas atribuídas a Teerã. A disputa sobre quem administra e como se garante a livre navegação — num canal responsável por cerca de 20% do petróleo global — tornou-se o ponto central e mais sensível.
Analistas paquistaneses e a ex-embaixadora Maleeha Lodhi avaliaram que as diferenças permanecem profundas e que um avanço rápido é improvável; as conversas, porém, funcionaram como um quebra-gelo. A postura pública do presidente americano, que minimizou a importância do resultado e celebrou um pretenso êxito militar, revela uma tensão entre necessidade diplomática e narrativa política doméstica, capaz de limitar concessões e coordenação para um acordo duradouro.
O impasse tem implicações concretas: além do risco direto de confrontos no mar e de impactos nos preços de energia, a disputa testa a capacidade de controle sobre grupos armados regionais e força os dois lados a equilibrar demonstração de força e disposição a negociar. Enquanto Israel trata de suas próprias frentes, com declarações de Netanyahu sobre Líbano e Hezbollah, o Estreito de Ormuz permanece o teste decisivo para medir se as conversas em Islamabad podem evitar uma nova escalada ou apenas adiar um confronto.