O papa Leão XIV lançou neste sábado um apelo direto pelo fim do conflito que já dura seis semanas, no mesmo dia em que autoridades dos Estados Unidos e do Irã se reuniram no Paquistão para debater uma saída diplomática. Em vigília especial na Basílica de São Pedro, o pontífice pediu que os responsáveis optem pela mesa do diálogo em vez de decisões que ampliem o rearmamento.

Conhecido por medir cada palavra, o papa rejeitou a instrumentalização da fé para legitimar a violência. Citou cartas de crianças em zonas de combate e falou em horror e desumanidade, insistindo que até o nome de Deus tem sido arrastado para discursos de morte. A condenação republica declarações anteriores em que afirmou que orações de líderes com "as mãos cheias de sangue" são rejeitadas por Deus.

Leão também evocou a oposição histórica da Igreja a intervenções militares, referindo-se ao apelo do falecido João Paulo II contra a invasão do Iraque em 2003. O tom vigoroso sinaliza pressão moral sobre atores envolvidos, numa hora em que negociações entre Washington e Teerã tentam pavimentar um cessar-fogo ou acordos de contenção.

A mensagem do papa tem potencial efeito político: aumenta o custo simbólico de justificativas religiosas para operações militares e reforça o espaço para mediação internacional. Comentadores católicos conservadores já interpretaram parte do discurso como crítica a autoridades que invocaram a fé para apoiar ataques, o que pode complicar a retórica de quem defende posições mais duras durante as conversas no Paquistão.