O novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou um pacote de medidas orçado em 20 milhões de euros após uma série de denúncias de supostos abusos sexuais envolvendo monitores que atuam em atividades pós-aula nas escolas públicas. Desde o início do ano, a prefeitura afastou 78 monitores, dos quais 31 estão sob suspeita de violência sexual, segundo dados divulgados pela administração municipal.

Grégoire, que assumiu o cargo no domingo anterior e citou o tema como sua “primeira luta”, prometeu revisar os processos de recrutamento e formação e instaurar canais mais claros para denúncias. A prefeitura também se comprometeu a publicar trimestralmente estatísticas sobre casos e afastamentos, além de informar as famílias sobre o andamento das apurações.

Precisamos reordenar todo o sistema com tolerância zero contra qualquer forma de abuso.

A dimensão dos casos — com nove suspeitos atuando numa mesma escola de educação infantil — levou a críticas de pais que acusam a direção de omissão. O prefeito admitiu que situações tratadas como incidentes isolados podem, na verdade, refletir um risco sistêmico e até um código de silêncio, expressão que reforça a percepção de falha institucional na proteção de crianças.

A repercussão política é imediata: adversários responsabilizaram a antecessora Anne Hidalgo pela gestão das contratações, e o episódio transforma-se em teste de governabilidade para Grégoire. Além do custo financeiro do plano, a prefeitura terá de reconstruir credibilidade junto às famílias e demonstrar eficácia rápida na prevenção e no tratamento de denúncias.

O movimento #MeToo e investigações anteriores na França, que já revelaram abusos em instituições diversas, ajudam a contextualizar a gravidade do episódio e a pressão por transparência. A prefeitura enfrenta agora o desafio de traduzir o pacote anunciado em resultados concretos sem repetir atrasos e omissões que, segundo relatos, agravaram a sensação de insegurança entre os pais.

A revolta das famílias é legítima e exigirá transparência total nos procedimentos.