A contagem dos votos do segundo turno presidencial do Peru começou neste domingo em clima de profunda incerteza. Mais de 27 milhões de eleitores estavam aptos a votar entre Keiko Fujimori (Força Popular) e Roberto Sánchez (Juntos por el Perú). Pesquisas de boca de urna divulgadas logo após o fechamento das seções apontaram um empate técnico: Ipsos dá 50,7% a Fujimori contra 49,3% para Sánchez (margem de erro de 3%), e Datum traz resultados similares, reforçando a expectativa de apuração apertada.
O processo chega marcado pelos problemas logísticos e pelas acusações de fraude no primeiro turno, cujo resultado levou um mês para ser certificado. A Junta Nacional Eleitoral (JNE) informou que a certificação final só deverá ocorrer em meados de julho, em função da introdução de recontagens obrigatórias para seções contestadas. A fiscalização foi ampliada: cerca de 55 mil observadores, incluindo delegações internacionais com mais de 500 representantes, acompanham a votação, aumento que busca dar mais credibilidade a um pleito já desgastado.
Do ponto de vista político, a disputa apresenta dois polos com altas taxas de rejeição e trajetórias que pesam no eleitorado. Keiko Fujimori, que defende o legado do pai Alberto Fujimori, concorre pela quarta vez à Presidência após derrotas anteriores; Sánchez carrega a associação com o governo de Pedro Castillo, condenado no ano passado a 11 anos e meio de prisão. O eleitor indeciso — estimado em cerca de 25% pelo Instituto de Estudos Peruanos — e a variação de participação entre regiões urbanas e rurais serão decisivos em um cenário tão dividido.
A combinação de empate técnico nas bocas de urna, atraso na certificação e mecanismo de recontagem amplia desgaste institucional e acende alerta sobre a estabilidade política durante a transição. Para o próximo presidente, seja qual for o vencedor, a margem estreita e o histórico de objeções ao processo eleitoral significam começo de mandato com forte necessidade de construir legitimidade imediata — e risco aumentado de polarização, contestação e impactos na governabilidade e na confiança de investidores.