A eleição presidencial peruana permanece sem definição a cinco dias do pleito. Com 93,3% das urnas apuradas, Keiko Fujimori soma 17% dos votos e já garantiu matematicamente um lugar no segundo turno, marcado para 7 de junho. A outra vaga, porém, está em aberto: Roberto Sánchez aparece com cerca de 12% e Rafael Aliaga com 11,9%, separados por menos de 3 mil votos, o que transforma cada atualização em elemento de alta relevância política.

A trajetória de Keiko — quarta tentativa consecutiva de chegar ao Palácio — expõe um teto eleitoral ligado à herança do pai, o ex-ditador Alberto Fujimori. A persistência do eleitorado em vetar o projeto familiar põe em xeque a capacidade de Keiko de ampliar sua base além de 17%, segundo analistas. Ao mesmo tempo, a candidata sinaliza um reposicionamento externo ao acenar a alinhamentos com os EUA e medidas mais duras em migração, proposições que reverberam no debate sobre influência chinesa em projetos como o porto de Chancay.

Do outro lado, Roberto Sánchez, com histórico de ministro e aliado do deposto Pedro Castillo, reúne apelo entre eleitorado rural e setor que reivindica maior protagonismo para as províncias. Seu programa inclui nacionalizações, promessa de nova Constituição e direitos trabalhistas ampliados — pontos que podem alarmar mercados e investidores caso ganhem velocidade no segundo turno. Rafael Aliaga, por sua vez, representa um bloco ultraconservador com afinidades externas que lembram o discurso populista de direita contemporâneo nos EUA.

A disputa voto a voto tem implicações regionais e econômicas claras: o resultado do Peru interessa à disputa de influência entre China e Estados Unidos na América Latina e afeta investidores ligados a megaprojetos de infraestrutura. A indefinição pressiona atores políticos locais a costurarem alianças rápidas e pode aumentar a volatilidade institucional num país que tentou eleger o nono presidente em apenas uma década.

Para a cena política peruana, o cenário desenhado até aqui acende alertas para estabilidade e governabilidade. Se Keiko não descolar de seu patamar de 17%, a oposição voltará ao centro das estratégias; se Sánchez ou Aliaga lograrem a virada, o país pode se polarizar entre propostas de refundação institucional ou de endurecimento conservador — resultando em impacto direto sobre políticas econômicas e acordos internacionais.