Com pouco mais de 92,6% das urnas apuradas, a contagem preliminar do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) aponta um empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez: 50,16% a 49,84%. A diferença, inferior a meio ponto percentual, reacende a memória do segundo turno de 2021, quando a vitória também passou por margem mínima.

O presidente do Tribunal Nacional de Eleições (JNE), Roberto Burneo, já advertiu que o resultado definitivo pode só ser conhecido nos próximos 30 dias e pediu calma a partidos e eleitores. O aviso expõe a fragilidade logística e institucional do processo em um país onde a polarização e a desconfiança tendem a crescer à medida que a apuração se arrasta.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko concentra discurso na luta contra a criminalidade — tema que domina a agenda pública peruana. Sánchez, deputado e ex-ministro, aposta em política voltada a populações pobres e a regiões remotas dos Andes e da Amazônia. Ambos chegam ao segundo turno com altos índices de rejeição e com menos de um quinto dos votos no primeiro turno.

O quadro atual acende alerta para a estabilidade política: vitória por margem mínima deixará o próximo presidente fragilizado diante de um Congresso fragmentado e de uma sociedade dividida. A demora na confirmação do resultado complica a narrativa de ambos os lados, aumenta o risco de desgaste institucional e coloca em xeque a capacidade de governabilidade já no início do mandato.