O candidato de esquerda Roberto Sánchez anunciou a convocação de um protesto em Lima nesta sexta-feira alegando irregularidades na apuração do segundo turno, no qual a adversária de direita Keiko Fujimori ampliou a vantagem para cerca de 40 mil votos com 99,40% das atas apuradas. Pelo resultado parcial publicado pela ONPE, Fujimori soma 50,10% contra 49,89% de Sánchez.

Em coletiva na sede do partido Juntos pelo Peru, a campanha de Sánchez afirmou que houve falhas na cadeia de custódia de atas de votação no exterior — sobretudo nos Estados Unidos e na Argentina — e pediu a anulação de milhares de votos desses locais. A autoridade eleitoral ainda precisa revisar atas impugnadas que reúnem aproximadamente 256 mil votos, procedimento que pode levar pelo menos duas semanas.

Uma delegação da União Europeia avaliou que o segundo turno, realizado em 7 de junho, transcorreu de forma tranquila e ordenada, mas a convocação do protesto acende alerta e amplia pressão sobre a ONPE. O episódio ocorre num cenário polarizado: Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori e Sánchez é identificado como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo.

Além de prolongar a incerteza sobre o resultado oficial, a disputa expõe risco de erosão de legitimidade e aumenta a carga política sobre a autoridade eleitoral antes da transição prevista para 28 de julho. A mobilização foi anunciada como pacífica, mas cabe à ONPE uma resposta técnica clara para reduzir tensão e evitar que a contestação escale institucionalmente.